sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

ONU adverte sobre risco de nova crise alimentar

Cerca de 80 países correm risco de não terem alimentos suficientes devido à alta nos preços.

O aumento no preço do trigo e do milho são os que mais preocupam a ONU.

Paris - A ONU advertiu, nesta terça-feira, sobre o risco de uma nova escalada dos preços dos alimentos, com consequências "muito perigosas" para 80 países, como o Sahel africano e o Haiti, apesar da reconstituição de reservas de grãos desde a crise alimentar de 2008.

"Vivemos atualmente o começo de uma crise alimentar similar à de 2008", disse em entrevista ao jornal francês Les Echos o relator especial das Nações Unidas sobre o direito à alimentação, Olivier de Schutter.

"Estamos diante de uma situação muito tensa", reforçou a economista da FAO (Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura) Abdolreza Abbassian, em declarações à AFP.

Cerca 80 países enfrentam um déficit alimentar e entre os mais expostos estão Burkina Faso, Mali, Mauritânia, Níger, Senegal, Chade e Haiti. Entre os 70 restantes estão países latino-americanos, como Nicarágua e Honduras.

O aumento dos preços das 'commodities' agrícolas fragiliza países importadores com escassas reservas de divisas, como Moçambique, Afeganistão, Mongólia ou Coreia do Norte.

A disparada dos preços começou em agosto, particularmente os do milho e do trigo. O índice global de preços de produtos agropecuários de base (cereais, carne, açúcar, oleaginosas, lácteos) se situa atualmente no nível máximo desde que a FAO começou a elaborar este índice há 20 anos.

Esta carestia é "muito perigosa" para os países em vias de desenvolvimento e "não vejo nenhuma razão fundamental para que esta tendência se modifique nos próximos seis meses", disse Schutter.

As reservas de grãos, no entanto, foram reconstituídas em 2008 e 2009. Os estoques de trigo passaram de 166,19 milhões de toneladas em 2008/2009 para 196,68 milhões um ano depois, segundo o ministério americano da Agricultura (USDA). Em 2010/11 prevê-se que cheguem a 176,72 milhões de toneladas, apesar da seca e dos incêndios na Rússia e das inundações na Austrália.

"O mundo não está diante de uma situação de penúria" pois estas reservas são suficientes para atender à demanda mundial este ano, insistiu o relator da ONU.

A FAO indicou, ainda, que o preço do arroz, base alimentar na Ásia, caiu à metade do seu nível de 2007/2008.

http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/onu-adverte-sobre-risco-de-nova-crise-alimentar

Nenhum comentário:

Postar um comentário